Quando alguém começa a pesquisar sobre fotografia, uma das primeiras especificações que chamam atenção nas lentes é a abertura da lente — aquela sequência de números: f/1.4, f/2, f/2.8, f/4, f/5.6…
Para quem está saindo do celular e comprando a primeira câmera, esses números podem parecer apenas mais uma informação técnica. Mas a verdade é que a abertura da lente é um dos fatores que mais influenciam o visual da fotografia.
Neste guia, você vai entender de forma simples o que é a abertura da lente, como interpretar os números “f”, qual a relação com a profundidade de campo e como escolher a lente ideal para o seu estilo de fotografia.
Qual a função da abertura da lente?
A abertura da lente tem uma função simples, mas fundamental: controlar a quantidade de luz que atravessa a lente e chega ao sensor da câmera — o que influencia diretamente a exposição da imagem.
Imagine a lente como uma janela. Quanto mais aberta, mais luz entra; quanto mais fechada, menos luz passa.
Essa “janela” é chamada de diafragma: um conjunto de lâminas localizado dentro da lente, que abre e fecha conforme a configuração escolhida. Em resumo:
- abertura maior = entra mais luz;
- abertura menor = entra menos luz.
O tamanho dessa abertura é representado pelo chamado número f (ou f-stop), que indica a razão entre a distância focal e o diâmetro da abertura.
Por exemplo: uma lente de 120mm em f/4 tem uma abertura de 30mm de diâmetro (um quarto de 120mm). Em uma abertura maior, de f/2, esse diâmetro sobe para 60mm.
É por isso que, quanto menor o número f, maior é a abertura da lente.
Os números f seguem uma escala logarítmica — não aumentam nem diminuem de forma linear — e escondem uma regra importante: cada passo na escala representa exatamente o dobro ou a metade da quantidade de luz que chega ao sensor. Assim, uma lente em f/2.8 deixa entrar o dobro de luz de f/4, enquanto f/5.6 deixa passar metade.
Simulador de abertura
Arraste o controle e veja o diafragma, a luz e a profundidade de campo mudarem
f/1.4
Abertura da lente e profundidade de campo
Controlar a entrada de luz é só metade da história. A abertura também define quanto da cena fica em foco ao mesmo tempo — o que chamamos de profundidade de campo.
Quando a lente foca, ela ajusta a imagem para que apenas uma distância específica fique perfeitamente nítida. Esse ponto forma um plano imaginário de foco dentro da cena. Como os objetos têm volume, com partes um pouco à frente e outras um pouco atrás desse plano, não basta que apenas essa “fatia” esteja em foco.
Felizmente, existe uma faixa de espaço ao redor do plano de foco que também parece nítida aos nossos olhos. Essa região tridimensional é a profundidade de campo: quanto maior ela for, maior a parte da cena que aparece em foco.
E como a abertura controla a profundidade de campo?
Quando você usa uma abertura muito grande (como f/1.4 ou f/1.8):
- Entra mais luz pela lente
- Os raios chegam ao sensor em ângulos mais amplos
- A região perfeitamente nítida fica muito menor
Como consequência, tudo o que estiver um pouco à frente ou atrás do ponto de foco começa a desfocar. Esse efeito produz o famoso bokeh, muito usado para destacar o assunto do fundo.
Já quando você fecha a abertura (por exemplo, f/8, f/11 ou f/16):
- Menos luz chega ao sensor — e você compensa com o tempo de exposição ou com o ISO
- Os raios de luz chegam ao sensor em ângulos mais estreitos
- A profundidade de campo aumenta
Assim, uma faixa muito maior da imagem permanece nítida, fazendo com que tanto o assunto quanto o fundo apareçam em foco.

Qual abertura usar em cada tipo de fotografia?
Aberturas grandes (f/1.4, f/1.8 e f/2)
As aberturas maiores são as preferidas de quem busca destacar o assunto e criar aquele desfoque de fundo marcante, que dá um aspecto mais profissional às imagens.
Elas permitem a entrada de uma grande quantidade de luz, o que as torna excelentes para fotografar em ambientes internos, à noite ou sempre que a iluminação é limitada.
Por isso, são muito utilizadas em retratos, fotografia de pessoas, casamentos, eventos e também na produção de vídeos, onde a combinação entre boa luminosidade e fundo desfocado ajuda a criar uma estética mais cinematográfica.
Aberturas médias (f/2.8 a f/5.6)
As aberturas intermediárias oferecem um excelente equilíbrio entre luminosidade e profundidade de campo — é uma das faixas mais versáteis da fotografia.
Elas mantêm o assunto bem destacado, mas preservam uma área maior da cena em foco. Isso as torna ideais para fotografia de rua, ensaios ao ar livre, viagens, fotografia documental e até produtos de maior porte.
É uma escolha popular entre fotógrafos que procuram flexibilidade para diferentes situações, sem abrir mão da qualidade de imagem.
Aberturas pequenas (f/8 a f/16)
Quando o objetivo é registrar a maior parte da cena com nitidez, as aberturas menores são a melhor opção.
Nessa configuração, a profundidade de campo aumenta significativamente e elementos próximos e distantes permanecem em foco ao mesmo tempo.
Por isso, elas são amplamente utilizadas em fotografia de paisagens, arquitetura, interiores, fotografia imobiliária e retratos de grupos grandes, onde é importante que todas as pessoas apareçam nítidas.
| Abertura | Melhor para | Evite se | Profundidade de campo |
|---|---|---|---|
| f/1.4 – f/2 | Retratos, eventos, pouca luz e vídeos | Você precisa de tudo em foco (paisagens, grupos) | Muito rasa — bokeh intenso |
| f/2.8 – f/5.6 | Rua, viagens, ensaios ao ar livre e documental | Quer o desfoque máximo ou fotografa quase no escuro | Moderada — assunto destacado, cena preservada |
| f/8 – f/16 | Paisagens, arquitetura, imóveis e grupos grandes | Há pouca luz e você está sem tripé | Profunda — nitidez de perto a longe |
Valores de referência — o desfoque real também depende da distância focal e da distância do assunto.
A abertura anda junto com a distância focal na hora de definir o visual das suas fotos. Se você ainda está em dúvida entre uma 35mm, 50mm ou 85mm, temos um guia completo comparando as três.
Lentes claras para começar
Se este guia te convenceu de que uma abertura grande faz diferença, a boa notícia é que as lentes f/1.8 estão entre as mais baratas de qualquer sistema. Estas são as que mais recomendamos:
Lentes f/1.8 — opções recomendadas

Canon
EF 50mm f/1.8 STM
A “nifty fifty” · bokeh bonito por pouco dinheiro · autofoco STM silencioso

Sony
FE 50mm f/1.8 (SEL50F18F)
Lente padrão Sony · bokeh suave · ótima para retratos e vídeos

Nikon
AF-S Nikkor 50mm f/1.8G
Clássico Nikon · excelente nitidez · preço acessível para a qualidade

Sony
E 35mm f/1.8 OSS
Estabilização óptica OSS · autofoco rápido · ideal para vídeo e vlog
Conclusão: por que dominar a abertura da lente
Entender a abertura da lente é um dos passos mais importantes para evoluir na fotografia.
Mais do que controlar a quantidade de luz que chega ao sensor, ela influencia diretamente a profundidade de campo, o desfoque do fundo e a estética das suas imagens.
Depois que você aprende como cada abertura afeta o resultado final, deixa de fotografar apenas no modo automático e passa a fazer escolhas conscientes para cada cena.
Seja para criar retratos com fundo suavemente desfocado, registrar paisagens totalmente nítidas ou fotografar em ambientes com pouca luz, dominar a abertura da lente permite explorar todo o potencial da sua câmera — e produzir fotos com muito mais qualidade e personalidade.

